A conta do aproveitamento é simples: 1 mm de chuva sobre 1 m² de telhado = 1 litro de água. Uma casa com 100 m² de telhado numa cidade com 1.300 mm de chuva por ano capta, descontando 20% de perdas, cerca de 100 mil litros anuais — mais de 8 mil litros por mês na média. Como descarga e lavagem de quintal respondem por 30-40% do consumo doméstico, a cisterna ataca exatamente a fatia cara da conta.
O kit mínimo bem feito tem quatro peças, nesta ordem:
- Calha e condutor existentes, direcionados para um ponto;
- Filtro de folhas (autolimpante ou tela) antes da entrada;
- Descarte da primeira água (first flush): um tubo vertical que retém os primeiros 1 a 2 litros por m² de telhado, levando embora poeira e fezes de passarinho;
- Reservatório fechado com tampa e tela contra mosquito da dengue — de bombona adaptada de 200 L (R$ 150-300 o kit) à mini cisterna vertical de 500 a 1.000 L (R$ 600 a R$ 1.500 montada).
Regra de ouro: água de chuva de telhado é para uso não potável — descarga, rega, lavagem de piso e carro. Não entra na rede da casa e a tubulação deve ser identificada ("água não potável") para ninguém conectar errado no futuro. Se quiser alimentar a descarga automaticamente, o arranjo com bomba periférica de 370 W ou por gravidade a partir de reservatório elevado funciona bem, sempre com separação total da rede da concessionária — nunca interligue as duas, é proibido e contamina a rede.